Erik é um tipo de agitador cultural raro hoje em dia. Não somente por que ja é raro hoje em dia um agitador cultural, mas também por que é raro hoje em dia entre os agitadores culturais alguém com entrância tão ampla, indo da literatura moderna, urbana, suja e concreta até a arte digital e a música eletrônica.
Em uma conversa franca ao pé no ouvido, o Erik nos concedeu essa entrevista exclusiva e a sua galeria pode ser vista aqui
01 – O que te impulsiona para criar esse tipo de trabalho gráfico e por que dessa forma de trabalho ?
A técnica com a qual eu me identifiquei, foi a técnica da Collage, e da Assemblage. Eu vim do desenho, desenhava desde criança, acho que o desenho é o primeiro momento em que alguém começa a se expressar em um suporte material. Quando conheci os trabalhos de collage de Pablo Picasso, foi quando me identifiquei com a técnica e o resultado plástico que ela proporcionava. A partir das histórias em quadrinhos, comecei a utilizar diferentes materiais na ilustração, até chegar na Collage como técnica e finalmente nos meios digitais de produção artística. A junção de vários materiais, e de conceitos também, é o que me agradou quando comecei a trabalhar e estudar mais a Collage, sendo ela aplicada a uma produção estética visual, como em outras formas de arte e em outras mídias.
02 – Quais são suas referências e quais artistas são seus preferidos ?
As referências são variadas, mas, de um modo geral, a Vida (e sua amplitude) é o que realmente eu posso dizer que é uma referência básica na minha produção artística. As Artes, o Cinema e a Música, creio que são outras referências no meu trabalho, além é claro da Poesia e da Literatura. Os artistas das Artes Visuais que eu admiro muito são Kurt Schwitters, Robert Rauschenberg e Dave McKean, exatamente nesta ordem. Gosto muito também das obras de Joseph Cornell, Jim Dine, Pablo Picasso, Bill Sienkiewicz, Eduardo Paolozzi, Richard Hamilton, dos artistas Dadá e da Pop Art em geral, da Arte Povera, e dos Minimalistas. Na música, bandas como Einstuerzende Neubauten, Prong e Napalm Death são as que eu mais ouço, você pode encontrar fácil algum som delas em meus players, mas gosto de ouvir um pouco de cada estilo, seja da Gothic Music até sons tribais de povos indígenas, passando pela música eletrônica e pela música clássica.
03 – De onde busca influências ?
Acho que sou influenciado pelo meio em que vivo, em que me encontro momentaneamente e transitoriamente. As influências estão nos arredores, nas notícias que ouço, no caminhar pela cidade, nas baladas da noite, nos filmes que assisto, na troca de idéias com meus amigos, na batalha e na correria da vida cotidiana. Mas, acho que na verdade, minha influência vem na maior parte da própria Arte, e da História da Arte. É inegável que foi quando comecei a conhecer mais e me aprofundar na Arte, e na sua feitura, que minhas influências tomaram corpo e foram moldando meu caráter e minha maneira de ver o mundo. Devo muito à Arte, e à produção artística em geral, e foi isso que me levou a estudar e a querer trabalhar e produzir Arte.
04 – De onde vem sua inspiração ?
Me inspiro muito, posso dizer, nos trabalhos de Kurt Schwitters e Dave McKean. A materialidade e a energia dos trabalhos de Schwitters, e a imaginação onírica de Dave McKean me surpreendem e me inspiram todas as vezes que aprecio as obras desses artistas. E as composições “combinadas” de Robert Rauschenberg, onde você tem uma gama visual tão extensa nos materiais que ele utiliza em seus quadros, é outra fonte de inspiração para mim. Estes artistas, no que se refere às Artes, são a minha grande inspiração, mas também tenho como inspiração para fazer meus trabalhos a cidade, a eletricidade, os objetos gerados e descartados pela sociedade, e nos dias de hoje, a informação que não pára de circular e de nos transformar, a cada instante …
05 – Como você cria seus trabalhos ?
Como diriam os Dadaístas, o meu projeto é não ter projeto. Quer dizer, no momento em que estou criando, deixo que o próprio momento, o lugar em que me encontro (a presença de espírito também), e os materias os quais eu disponho naquele momento me inspirem, se transformem e me guiem para realizar uma obra. Porém, quando estou trabalhando para um determinado propósito, seja um lance comercial, ou algo encomendado, daí nesse hora eu então sigo a proposta, pois nesse sentido eu tenho que seguir e alcançar uma determinada finalidade.
06 – Você acredita que a evolução dos processos de mídia ajudaram a criar um novo padrão para a arte em geral ?
Eu creio que isso acontece sim, mas os processos criativos também são anteriores à qualquer tipo de ferramenta. O homem se utiliza das ferramentas que conhece e das que ele cria especialmente para comunicar ou expressar algo específico, e não só nas Artes. Por vezes, a evolução de qualquer meio (mídia) e técnica auxilia algum processo individual ou coletivo, e isso acaba por direcionar padrões que posteriormente irão definir novos estilos de produção e de conduta em determinada área.
07 – De que forma a cidade impulsiona a criação de uma forma de mídia cada vez mais ligada a outras formas de mídia ?
A cidade tem essa característica, ela própria, e suas transições, ligações e movimentos requerem um cruzamento de mídias. Acho que o principal nisso tudo é a idéia que na cidade, as coisas não param, e que na cidade é onde acontecem as interações dos mais variados níveis, sejam eles culturais, sociais, econômicos e midiáticos.
08 – Acredita na arte como forma de subversão de valores ?
Acredito na Arte como forma e como força, então, acredito em algum tipo de valor agregado e em algum tipo de valor subtraído, bem como em algum tipo de convenção e de subversão. Seria oportuno saber quais os tipos de valores, conceitos e aplicações estamos nos referindo, e em quais esferas de conhecimento e de julgamento moral e econômico (tanto nas Artes como nas relações humanas) estamos querendo entender e produzir.



Comentários