DJ AV7EP, também conhecido por André Victor é DJ e produtor, atuante em diversos projetos e nos concedeu uma entrevista e um set especial para postagem (que pode ser baixado aqui).
Segue a Entrevista:
01 – Como você ve, atualmente, as festas de vertentes extremas no Brasil ?
“Acho que a gente ta passando por uma interfase né, não só aqui no Brasil mas como no mundo todo, é tipo uma respiração, a gente tá na fase de inspirar as coisas; as novas tecnologias que estão tornando a produção musical mais acessível, novas tendências estão surgindo, tem uma molecada nova trazendo coisas diferentes, todo essa caldo que escorreu de uns 4 anos pra cá precisa ser digerido ainda, pra poder voltar ao patamar das festas que agente tinha por aqui”
02 – Como é que você vê a sua música no cenário urbana, qual seu significado?
O projeto AV7EP é uma leitura histórica dos movimentos de música extrema desde os punks até os cyberpunks, e um confronto entre isso,
dos meios e dos fins.
Da época que pra vc conseguir um material de banda foda vc tinha que ter o contato de alguma distribuidora independente que nunca era no Brasil, eu mesmo tinha uns 2 contatos aqui, o mathias ling em floripa e o renan favero da terroten rec. em porto alegre e só, ai tinha que mandar uma carta com 2 selos dentro, pedindo uma listagem do que eles tinham, ai eles te retornavam a lista (usando os tais 2 selos), vc escolhia o que queria, mandava outra carta com o pedido, os dólar camuflado e mais um punhado de selos, e eles te retornavam teu pedido sempre com uns fanzines de brinde, que era outro material muito loco; esse processo demorava uns 2 meses se vc fosse um cara agilizado, hj demora uns 3 minutos no máximo, e esse material só por essa correria ja tinha um valor inestimável, fora que o processo de produção era fantástico, eu tenho vinil de 7 polegadas feito com garrafa de coca-cola derretida em prensa de vinil roubada em squat anarco-punk do leste europeu, os cara eram foda mesmo, o encarte era xerox em papel-cartão de montagem feita a mão, desenho feito a mão, com recorte de texto datilografado ou escrito a mão, e eram tipo, 50, 100, no maximo 500 cópias numeradas pro mundo todo, numa qualidade péssima, bateria cha-cha-chado (que tu só escuta o chá chá chá da caixa), nem sei como esses locos gravavam as coisas, mas tinham muitas cooperativas de som anarco/punk que acabavam virando ótimos estúdios tipo o “The Punk Palace” do falecido Miezko da banda Nazum (morreu no tsunami acredita! e olha que o magrão era gigantesco), e as letras eram extremamente políticas, tem um de 83 do KÄÄÖS ou do Rïïstettyt não lembro, que chama “Russia Bombs Finland” que os cara fizeram em baixo de bomba mesmo, no final da URSS, mó tenso, cada material tinha sua história e por isso um valor inestimável, teve uma vez esses tempos que eu fui abrir pra uma banda de hardcore famosissima aqui do Brasil com o AV7EP que o vocal que era de um canal de TV tiro o talão de cheque do bolso querendo comprar um split japones do napal death com o s.o.b. meu, que só tem 100 cópias no mundo, no site deles tava escrito que nem eles tinham mais esse material, óbvio que não vendi, podia ter vendido e usado tudo em droga, confesso que consegui muito vinil comprando coleção de punk falido e viciado, que vendia relíquia pra tomar cerveja e cherar cocaina.
O que eu sei que hj não sobrou mais nada dessa historia: vinil, punk, squat, fanzine, selo, encarte, banda de hardcore, máquina de datilografar, máquina de tirar xerox, mal e mal ainda existe os Correios e a Rússia, firme e forte só o dólar a cocaína e a coca-cola.
O AV7ËP é um pouco da historia desse tipo de gente, que hj em dia faz musicas em softwares livres, constroi controladores e destroi brinquedos eletronicos pra fazer musica, baseados em comunidades livres que rolam pela internet, conversando através do myspace e trocando arquivos pelo google, disponibilizando gratuitamente suas tracks por ai, e com elas viajar e conhecer outras realidades, é sobre a raiva, a raiva na cidade, a raiva da cidade, a raiva de cidade, a raiva de tudo, e a energia que faz agente destruir as coisas, pra dentro disso achar a arte e à nos mesmos. é sobre o protesto, mas seila, as vezes acho que é sobre mim mesmo, e essa necessidade de odiar as coisas.
03 – Quais são suas principais influências?
Dentro do breakcore minha influência é a festa TEMP aqui no Brasil, que inclusive vou estar tocando em um projeto deles agora em setembro que é uma honra fodida pra mim, sempre quiz tocar nessa festa, que é uma das maiores do mundo no gênero e referência mundial no assunto, e a BREAKCORE GIVES ME WOOD da Bélgica, que foi o primeiro material que tive contato, e que tinha muito haver com as manifestações contra a globalização que tavam rolando na época no mundo todo, que eu tava bem envolvido e nisso vi uma esperança pra esse meu lado mais pesado e escuro, as primeiras apresentações do AV7EP eram só vinil de grindcore e afins, depois que descobri o breakcore tudo se encaixou perfeitamente. E sempre andei muito com metaleiro, punk, e esse tipo de gente, sempre absorvi muita coisa desse mundo, apesar de hj estar envolvido em varias vertentes de musica, no fundo sou um metaleiro cabeludo.
04 – Quais são as melhores festas do Brasil para você ?
É obvio citar as do núcleo TEMP aqui de são paulo, que hj se chama Zona TEMP, o Industrial Noise Fest e a INFERNO de curitiba, e o Festival Internacional da Linguagem Eletronica (FILE), que apesar de não ser exclusivamente de breakcore abre espaço pra isso, tem mais 2 festas bacanas aqui em são paulo, que é a Sabotagem e a ContraBando, na verdade a cena Brasileira meio que se resume a isso
05 – O que você prefere para produzir ?
Cara, eu tenho varios projetos de som eletronico, cada um tem sua sonoridade e tal, pro av7ep eu faço os remixes no Reason, ReCycle e Ableton, na Orquestra de Laptops de SãoPaulo (www.myspace.com/olsp) que é outro projeto que participo, uso o Pure Data, Csound, Sound Forge e ReCycle, no fim vai tudo parar no Ableton, pro resto é Logic, Reason e Ableton, tudo termina em Ableton sempre, gosto muito de sintetizar as coisas, criar toda a configuração e ter o controle sobre isso, e zoar os samples ao maximo. E eu sou viciado em Softwares, Plugins e bancos de samples, tenho montes disso em casa.
06 – Que outras formas de arte você curte ?
eu ando muito vidrado em arte digital, de todo tipo, desde fotografias até Wiring, Circuit Bending, acho que a arte deve refletir e criticar a realidade que agente vive, e body-art que eu respirei muito tempo, mas na real esse papo de arte é muito cabeça pra um paragrafo, desde que não seja trampinho de hippie que eu tenho um odio sinistro
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