Posts Categorizados ‘festa

28
Nov
08

ENTREVISTA COM TËM DANILIN

TËM DANILIN é um artista gráfico e fotógrafo de Moscou e seu estilo se destaca pela mistura de diversos elementos gráficos variados aliado a forte presença de elementos extremamente contemporâneos de produção artística.

 

01 – Quando e por que você começou seu interesse por fotografia?

Desde a minha infância eu sempre tive interesse em qualquer coisa ligada a arte. Eu estava na escola de artes, um monte de jornais nas paredes e desenhos nas carteiras escolares e mesmo cheguei a ser um aprendiz de um artista. Uma vez eu fui visitar minhas boas aquisições e eu havia visto uma parede com fotos feitas não totalmente profissionais mas tão cheias de sensualidade que eu havia compreendido muito bem onde a minha natureza criativa iria partir de então. Haha o tempo passou e eu comecei a tentar unir desenhos e foto. Bem, atualmente, qui está o que veio dessas tentativas.

 

Tëm Danilin por ele mesmo

Tëm Danilin por ele mesmo

 

 

02 – Qual processo criativo faz você começar uma imagem?

Usualmente isto começa espontaneamente… Algumas vezes eu pego idéias de sonhos. Bem, atualmente, estre é o primeiro passo para a criação de uma foto, e então certamente tudo se move graças a habilidades técnicas e zelo.

noname203-1

03 – Você usa alguns efeitos para mudar o resultado final de uma foto, isto é parte da mensagem ou um trato visual para fazera  menssagem da foto mais clara ?

Eu não gosto de uma foto “pura”. Nosso mundo interior é sem fronteira e um tratamento adicional das fotos simplesmente me ajuda a abrir algumas dessas imagens e mostra-las aos espectadores.

noname131-1

04 – Você basicamente fotografa portraits, por que?

O que pode ser mais interessante e bonito que o rosto humano!? Na minha opinião, as pessoas são o aspecto mais divertido da fotografia

 

05 – Qual é o conceito da vida urbana que inspira você a fotografar?

Eu não chamaria de conceito, mas EU GOSTO DE COLAPSRA TODO O MUNDO EM PESSOAS, E EU SINTO ISSO CLARAMENTE

noname196-11

 

06 – Onde você espera levar sua arte fotográfica no futuro?

Oh, eu não gosto de construir castelos de areia. Como as pessoas dizem, deixe o que tiver de ser.

 

07 – Que outras formas de expressão artística você gosta?

Eu gosto de música, algumas vezes eu compnho músicas na guitarra e canto para meus amigos. Eu considero que qualquer manifestação de criatividade é boa desde que ajude as pessoas a vêrem além de seus próprios narizes. HAHA!

noname136-1

10
Nov
08

ENTREVISTA COM YARISHEV EVGENY

 

Yarishev é um fotógrafo jovem e talentoso que irá expor suas imagens no Evento PRANK no dia 13 de Dezembro. Com um estilo bastante clássico ele se usa dessa assimilação para inserir nas imagens elementos modernos e interpretações, que segundo o próprio ficam a cargo do julgo do espectador.

1111

 

01 – O que te faz fotografar e a quanto tempo você fotografa?

Usualmente, eu tiro fotos de pessoas na paisagem urbana. Eu amo combinar a geometria dos prédios com a natureza humana. Eu fotografo desde o últuimo inverno

 

02 – Nas suas fotos, pode-se ver claramente uma influência das representações clássicas e modernas, qual é a intenção da mensagem ?

Sim, É bastante grande a influência de fotógrafos da velha escola, eu estou tentando seguir seus exemplos. Gráfismos, emoções, e composição é o que eu uso para o sentido das minhas fotografias para os espectadores.

3948

03 – Qual é o fator mais importante para o seu estilo fotográfico?

O aspecto mais importante, como eu disse anteriormente é a grafia da foto. A educação artística tem seu efeito.

 

04 – Que outras influências artísticas você tem, fora a fotografia?

A música de praticamente todos os gêneros e estilos, os livros e certamente as pinturas de autores como Shagal, Ayavazovsky e etc.

871051

05 – Você vê o seu estilo fotográfico como predominantemente Urbano ?

Eu não me enquadro em qualquer estilo, isto fica a cargo dos espectadores.

 

06 – Quais são os fotografos mais importantes para você ?

Fotografos da velha escola: A. Kitaev, A. Korbajn e alguns jovens e muito talentosos como Joey L., A Hnatenko, Lara Jade, I. Filatova.

919221

22
Out
08

ENTREVISTA COM DJ CHOCHI

Representante da cena Acid, Chochi está indo tocar na PRANK levando consigo o melhor do que o Acid Techno tem a oferecer em toda sua amplitude. Sempre descontraído ele é um dos fundadores do núcleo Overload e em seu currículo está algumas das melhores raves que eu já fui além de ter um set contagiante. Fora isso ele também é produtor tendo um projeto de live chamado Acid Chochi e assina suas produções da mesma forma.

Para quem quiser conferir o seu set, pode ser feito download aqui

01 – Quando você começou a tocar e por que Acid ?

Eu conheci música eletrônica em 2003, num churras na casa de um amigo meu (que por coincidência era um dos churras do site Eletrogralha). Achei bem interessante e já quis me aprofundar no assunto. Em 2004 uns amigos Djs me ensinaram a tocar e, nessa época, o que eu mais escutava era aquele techno mais grooveado, mais funkeado. Quando escutei o álbum do Hardfloor, o TB Ressussitation, que tenho até hoje, fiquei apaixonado pela sonoridade da TB 303, e como ja tinha tomado gosto pelo techno e outros sons mais ácidos, resolvi tocar Acid Techno.

02 – O que você acha do cenário de techno hoje no Brasil ?

Quando comecei a curtir, o Techno era a bola da vez. Agora em 2008, muita coisa mudou de lá pra cá. Tem gente que diz que o techno está em baixa, gente que diz que apenas voltou ao ser o que era antes de seu auge. Eu acredito que cada estilo musical tem seu tempo, e que esse tempo vai e volta. Minimal Techno está na moda agora, mas tem um amigo meu que toca a 10 anos. Mas agora o Minimal Techno está adaptado as novas tendências, como progressive house. Eu não consegui destinguir essas novas vertentes que estão surgindo, como New Techno, New Rave. Apenas escuto as pessoas comentarem, mas como não é a linha que toco ou produzo, não pre aprofundo no assunto, apenas escuto para ter referência como produtor, ver as novas sonoridades que estão saindo. Acredito que o Techno pode no futuro voltar a ter o status de alguns anos atrás.

03 – Como você vê as novas tecnologias na música eletrônica hoje ?

Acho que como em todo lugar a tecnologia veio para acrescentar, e na música eletrônica não é diferente. Ótimos softwares e hardwares vem sendo lançados, principalmente para a área de produção músical, que é pra onde a maioria dos DJs vem voltando as suas atenções. Pra mixar, não há melhor coisa que tocar com discos. Sempre toquei com discos, até que roubaram minha case com todos os meus discos. Tinha coisas que não se recupera mais. Desde então passei a tocar com CDs. Uma tecnologia que me chama a atenção e gostei foi a do Serato, que acredito que é o melhor investimento para quem quer continuar com a mão nos discos mas ao invés de comprar os discos estaria comprando as mp3 desejadas. Mas, nada melhor que sair carregando aquela case  recheada de discos e na hora de tocar ficar olhando os discos para saber qual o próximo a tocar (sem contar que a capa e logo dos discos já são outros tipos de arte).

04 – Você acha que a música eletrônica ainda interage com a paisagem urbana?

Eu acredito que sim, e acho que sempre haverá: seja com expressão visual, musical, etc. Música eletrônica sempre vai fazer parte das grandes cidades. Tem coisa melhor que sair de uma balada, andar algumas quadras e parar numa padaria pra tomar um café da manhã com os amigos?

05 – Como você vê a atuação de novas mídias integradas a festas de música eletrônica ?

Mídias televisivas acho que não passam boas imagens sobre música eletrônica, pois sempre ligam ela as drogas. Acho que as mídias mais importantes para a música eletrônica são a Internet e revistas especializadas.

06 – Você acha que o acesso as novas tecnologias popularizaram a música eletrônica?

Com certeza. A velocidade com que as pessoas compram ou trocam músicas aumentou consideravelmente. Até um ex-aluno meu que não deve ter mais de 12 anos já se diz fã do Skazi (risos). O barateamento dos equipamentos também fez com que muitas pessoas adquirissem esse material e passassem a conhecer mais a fundo um trabalho de um Dj.

07 – Que outras formas de arte você curte ?

Cinema e desenho animado.

08 – Você acredita que haja falta de iniciativa nos DJs e Produtores de hoje para organizar eventos ?

Não só para organizar eventos, mas também para apoiar eventos. Tem Dj que só vai em festas na qual está no line up. Se ele não vai tocar neste final de semana, prefere ficar em casa a ir apoiar o mesmo projeto em que tocou na semana passada. Atitudes assim que estragam a cena. E a história do VIP. Pra mim VIP (como um amigo postou num fórum) é “Vá, Incentive Pagando”. Só quando esses DJs e produtores forem organizar seus próprios eventos é que sentirão na pele que um evento não é apenas de montar um line up.-

13
Out
08

ENTREVISTA COM ERIK MÜLLER THURM

Erik é um tipo de agitador cultural raro hoje em dia. Não somente por que ja é raro hoje em dia um agitador cultural, mas também por que é raro hoje em dia entre os agitadores culturais alguém com entrância tão ampla, indo da literatura moderna, urbana, suja e concreta até a arte digital e a música eletrônica.

Em uma conversa franca ao pé no ouvido, o Erik nos concedeu essa entrevista exclusiva e a sua galeria pode ser vista aqui

01 – O que te impulsiona para criar esse tipo de trabalho gráfico e por que dessa forma de trabalho ?

A técnica com a qual eu me identifiquei, foi a técnica da Collage, e da Assemblage. Eu vim do desenho, desenhava desde criança, acho que o desenho é o primeiro momento em que alguém começa a se expressar em um suporte material. Quando conheci os trabalhos de collage de Pablo Picasso, foi quando me identifiquei com a técnica e o resultado plástico que ela proporcionava. A partir das histórias em quadrinhos, comecei a utilizar diferentes materiais na ilustração, até chegar na Collage como técnica e finalmente nos meios digitais de produção artística. A junção de vários materiais, e de conceitos também, é o que me agradou quando comecei a trabalhar e estudar mais a Collage, sendo ela aplicada a uma produção estética visual, como em outras formas de arte e em outras mídias.

 

02 – Quais são suas referências e quais artistas são seus preferidos ?

 

As referências são variadas, mas, de um modo geral, a Vida (e sua amplitude) é o que realmente eu posso dizer que é uma referência básica na minha produção artística. As Artes, o Cinema e a Música, creio que são outras referências no meu trabalho, além é claro da Poesia e da Literatura. Os artistas das Artes Visuais que eu admiro muito são Kurt Schwitters, Robert Rauschenberg e Dave McKean, exatamente nesta ordem. Gosto muito também das obras de Joseph Cornell, Jim Dine, Pablo Picasso, Bill Sienkiewicz, Eduardo Paolozzi, Richard Hamilton, dos artistas Dadá e da Pop Art em geral, da Arte Povera, e dos Minimalistas. Na música, bandas como Einstuerzende Neubauten, Prong e Napalm Death são as que eu mais ouço, você pode encontrar fácil algum som delas em meus players, mas gosto de ouvir um pouco de cada estilo, seja da Gothic Music até sons tribais de povos indígenas, passando pela música eletrônica e pela música clássica.

 

03 – De onde busca influências ?

Acho que sou influenciado pelo meio em que vivo, em que me encontro momentaneamente e transitoriamente. As influências estão nos arredores, nas notícias que ouço, no caminhar pela cidade, nas baladas da noite, nos filmes que assisto, na troca de idéias com meus amigos, na batalha e na correria da vida cotidiana. Mas, acho que na verdade, minha influência vem na maior parte da própria Arte, e da História da Arte. É inegável que foi quando comecei a conhecer mais e me aprofundar na Arte, e na sua feitura, que minhas influências tomaram corpo e foram moldando meu caráter e minha maneira de ver o mundo. Devo muito à Arte, e à produção artística em geral, e foi isso que me levou a estudar e a querer trabalhar e produzir Arte.

04 – De onde vem sua inspiração ?

Me inspiro muito, posso dizer, nos trabalhos de Kurt Schwitters e Dave McKean. A materialidade e a energia dos trabalhos de Schwitters, e a imaginação onírica de Dave McKean me surpreendem e me inspiram todas as vezes que aprecio as obras desses artistas. E as composições “combinadas” de Robert Rauschenberg, onde você tem uma gama visual tão extensa nos materiais que ele utiliza em seus quadros, é outra fonte de inspiração para mim. Estes artistas, no que se refere às Artes, são a minha grande inspiração, mas também tenho como inspiração para fazer meus trabalhos a cidade, a eletricidade, os objetos gerados e descartados pela sociedade, e nos dias de hoje, a informação que não pára de circular e de nos transformar, a cada instante …

 

05 – Como você cria seus trabalhos ?

Como diriam os Dadaístas, o meu projeto é não ter projeto. Quer dizer, no momento em que estou criando, deixo que o próprio momento, o lugar em que me encontro (a presença de espírito também), e os materias os quais eu disponho naquele momento me inspirem, se transformem e me guiem para realizar uma obra. Porém, quando estou trabalhando para um determinado propósito, seja um lance comercial, ou algo encomendado, daí nesse hora eu então sigo a proposta, pois nesse sentido eu tenho que seguir e alcançar uma determinada finalidade.

 

06 – Você acredita que a evolução dos processos de mídia ajudaram a criar um novo padrão para a arte em geral ?

Eu creio que isso acontece sim, mas os processos criativos também são anteriores à qualquer tipo de ferramenta. O homem se utiliza das ferramentas que conhece e das que ele cria especialmente para comunicar ou expressar algo específico, e não só nas Artes. Por vezes, a evolução de qualquer meio (mídia) e técnica auxilia algum processo individual ou coletivo, e isso acaba por direcionar padrões que posteriormente irão definir novos estilos de produção e de conduta em determinada área.

 

07 – De que forma a cidade impulsiona a criação de uma forma de mídia cada vez mais ligada a outras formas de mídia ?

A cidade tem essa característica, ela própria, e suas transições, ligações e movimentos requerem um cruzamento de mídias. Acho que o principal nisso tudo é a idéia que na cidade, as coisas não param, e que na cidade é onde acontecem as interações dos mais variados níveis, sejam eles culturais, sociais, econômicos e midiáticos.

 

08 – Acredita na arte como forma de subversão de valores ?

Acredito na Arte como forma e como força, então, acredito em algum tipo de valor agregado e em algum tipo de valor subtraído, bem como em algum tipo de convenção e de subversão. Seria oportuno saber quais os tipos de valores, conceitos e aplicações estamos nos referindo, e em quais esferas de conhecimento e de julgamento moral e econômico (tanto nas Artes como nas relações humanas) estamos querendo entender e produzir.

09
Out
08

ENTREVISTA COM A DJ JHESSY

Falando na sinceridade, a DJ Jhessy de apenas 18 anos, a mais nova a compor as atrações do evento, cedeu-nos uma entrevista falando a respeito da sua visão acerca da sua música e de como vê a cidade em que vive. Além disso fez um tease set especial para o evento disponível para Download Aqui

01 – Como você vê o seu set no cenário urbano, como ele espelha a sua realidade ? 

Diria que meu set é bem up, Alegre, com muita energia. Para as pessoas dançarem do começo ao fim. Bem difetente do cenário urbano hostil em que vivemos.

 

02 – O que te levou a atuar como DJ e por que nessa vertente?

Tocar sempre foi algo que me encantou desde quando tive meu primeiro contato com a música eletrônica. Fiquei hipnotizada, não quis mais saber de outra coisa. Fui criando amizade com pessoas que já atuavam na cena, onde fui buscar conhecimento para me tornar uma DJ. Sempre fui muito ligada em música desde pequena através do meu pai e isso influenciou muito na minha formação.

Electro foi a primeira vertente que ouvi, gostei logo. E o house progressivo, veio me conquistando aos pouquinhos. rsrs

03 – Como você vê o cenário cultural de arte contemporâneo em Alagoas e no Brasil de forma geral ?

Eu acho que deviam realizar mais eventos como este,que proporcionem ao público a oportunidade de apreciar variadas manifestações artísticas, dentro de um único espaço. A troca de experiências é outro fator positivo, visto que desse intercâmbio cultural, novos projetos e iniciativas devem acontecer.

04 – Quais são suas principais influências na música eletrônica?

Incondicionalmente,a paixão por ela. Eu tento me aprimorar vendo e ouvindo o maior número de DJs possível. Isso vale desde grandes nomes internacionais até grandes amigos que tocam por hobby, mas sempre tem algo de proveitoso pra passar adiante. Acho  importante mostrar versatilidade e isso só se adquire quando começamos a ouvir sem preconceito, achando o “lado bom” de cada estilo.

05 – quais os melhores DJs na sua opinião, locais e internacionais?

Tem uma porrada de djs muuuuuito bons espalhado por ai, mas os que me chamam mais atenção com suas produções são :Mind x,hamelin,eletrixx,the h2o project,velkro,la bazz.

06 – Que outras formas de arte você gosta, além da música eletrônica e quem ? 

Dança, Pop-art, fotografia e miniaturismo.

01
Out
08

NOVAS ATRAÇÕES CONFIRMADAS

Novas Atrações confirmadas para a festa e outras ainda em viabilização de confirmação

A primeira delas é a DJ Jhessy, de Alagoas que em breve irá postar um set tease para que possamos acompanhar seu trabalho além de dar uma entrevista. Além dela também está confirmado outro DJ de Alagoas para tocar Drum and Bass, DJ N-Mix.
Além deles, ainda terão também o DJ Dude local, que se garante e muito.

Fora as atrações musicais, mais uma exposição foi confirmada, o DJ e artista GLATT  FAIRY (PE)

Ele vai expor lonas com desenhos ‘pós punk’. Sua participação na cena recifense é ampla: Já tocou em projetos muito famosos emRecife como a Putz e a ‘Glatt de Quinta’ no famoso bar Boratcho, assim como já expôs seus desenhos nestes dois. 

 

Em breve novas entrevistas e informações sobre a festa que vai mudar a visão da cidade

22
Set
08

ENTREVISTA COM AV7ËP

DJ AV7EP, também conhecido por André Victor é DJ e produtor, atuante em diversos projetos e nos concedeu uma entrevista e um set especial para postagem (que pode ser baixado aqui).

Segue a Entrevista:

01 – Como você ve, atualmente, as festas de vertentes extremas no Brasil ?

 

“Acho que a gente ta passando por uma interfase né, não só aqui no Brasil mas como no mundo todo, é tipo uma respiração, a gente tá na fase de inspirar as coisas; as novas tecnologias que estão tornando a produção musical mais acessível, novas tendências estão surgindo, tem uma molecada nova trazendo coisas diferentes, todo essa caldo que escorreu de uns 4 anos pra cá precisa ser digerido ainda, pra poder voltar ao patamar das festas que agente tinha por aqui”

 

02 – Como é que você vê a sua música no cenário urbana, qual seu significado?

 

   O projeto AV7EP é uma leitura histórica dos movimentos de música extrema desde os punks até os cyberpunks, e um confronto entre isso, 

dos meios e dos fins. 

   Da época que pra vc conseguir um material de banda foda vc tinha que ter o contato de alguma distribuidora independente que nunca era no Brasil, eu mesmo tinha uns 2 contatos aqui, o mathias ling em floripa e o renan favero da terroten rec. em porto alegre e só, ai tinha que mandar uma carta com 2 selos dentro, pedindo uma listagem do que eles tinham, ai eles te retornavam a lista (usando os tais 2 selos), vc escolhia o que queria, mandava outra carta com o pedido, os dólar camuflado e mais um punhado de selos, e eles te retornavam teu pedido sempre com uns fanzines de brinde, que era outro material muito loco; esse processo demorava uns 2 meses se vc fosse um cara agilizado, hj demora uns 3 minutos no máximo, e esse material só por essa correria ja tinha um valor inestimável, fora que o processo de produção era fantástico, eu tenho vinil de 7 polegadas feito com garrafa de coca-cola derretida em prensa de vinil roubada em squat anarco-punk do leste europeu, os cara eram foda mesmo, o encarte era xerox em papel-cartão de montagem feita a mão, desenho feito a mão, com recorte de texto datilografado ou escrito a mão, e eram tipo, 50, 100, no maximo 500 cópias numeradas pro mundo todo, numa qualidade péssima, bateria cha-cha-chado (que tu só escuta o chá chá chá da caixa), nem sei como esses locos gravavam as coisas, mas tinham muitas cooperativas de som anarco/punk que acabavam virando ótimos estúdios tipo o “The Punk Palace” do falecido Miezko da banda Nazum (morreu no tsunami acredita! e olha que o magrão era gigantesco), e as letras eram extremamente políticas, tem um de 83 do KÄÄÖS ou do Rïïstettyt não lembro, que chama “Russia Bombs Finland” que os cara fizeram em baixo de bomba mesmo, no final da URSS, mó tenso, cada material tinha sua história e por isso um valor inestimável, teve uma vez esses tempos que eu fui abrir pra uma banda de hardcore famosissima aqui do Brasil com o AV7EP que o vocal que era de um canal de TV tiro o talão de cheque do bolso querendo comprar um split japones do napal death com o s.o.b. meu, que só tem 100 cópias no mundo, no site deles tava escrito que nem eles tinham mais esse material, óbvio que não vendi, podia ter vendido e usado tudo em droga, confesso que consegui muito vinil comprando coleção de punk falido e viciado, que vendia relíquia pra tomar cerveja e cherar cocaina.

   O que eu sei que hj não sobrou mais nada dessa historia: vinil, punk, squat, fanzine, selo, encarte, banda de hardcore, máquina de datilografar, máquina de tirar xerox, mal e mal ainda existe os Correios e a Rússia, firme e forte só o dólar a cocaína e a coca-cola.

   O AV7ËP é um pouco da historia desse tipo de gente, que hj em dia faz musicas em softwares livres, constroi controladores e destroi brinquedos eletronicos pra fazer musica, baseados em comunidades livres que rolam pela internet, conversando através do myspace e trocando arquivos pelo google, disponibilizando gratuitamente suas tracks por ai, e com elas viajar e conhecer outras realidades, é sobre a raiva, a raiva na cidade, a raiva da cidade, a raiva de cidade, a raiva de tudo, e a energia que faz agente destruir as coisas, pra dentro disso achar a arte e à nos mesmos. é sobre o protesto, mas seila, as vezes acho que é sobre mim mesmo, e essa necessidade de odiar as coisas.

 

03 – Quais são suas principais influências?

 

   Dentro do breakcore minha influência é a festa TEMP aqui no Brasil, que inclusive vou estar tocando em um projeto deles agora em setembro que é uma honra fodida pra mim, sempre quiz tocar nessa festa, que é uma das maiores do mundo no gênero e referência mundial no assunto, e a BREAKCORE GIVES ME WOOD da Bélgica, que foi o primeiro material que tive contato, e que tinha muito haver com as manifestações contra a globalização que tavam rolando na época no mundo todo, que eu tava bem envolvido e nisso vi uma esperança pra esse meu lado mais pesado e escuro, as primeiras apresentações do AV7EP eram só vinil de grindcore e afins, depois que descobri o breakcore tudo se encaixou perfeitamente. E sempre andei muito com metaleiro, punk, e esse tipo de gente, sempre absorvi muita coisa desse mundo, apesar de hj estar envolvido em varias vertentes de musica, no fundo sou um metaleiro cabeludo.

 

04 – Quais são as melhores festas do Brasil para você ?

 

  É obvio citar as do núcleo TEMP aqui de são paulo, que hj se chama Zona TEMP, o Industrial Noise Fest e a INFERNO de curitiba, e o Festival Internacional da Linguagem Eletronica (FILE), que apesar de não ser exclusivamente de breakcore abre espaço pra isso, tem mais 2 festas bacanas aqui em são paulo, que é a Sabotagem e a ContraBando, na verdade a cena Brasileira meio que se resume a isso

 

05 – O que você prefere para produzir ?

 

   Cara, eu tenho varios projetos de som eletronico, cada um tem sua sonoridade e tal, pro av7ep eu faço os remixes no Reason, ReCycle e Ableton, na Orquestra de Laptops de SãoPaulo (www.myspace.com/olsp) que é outro projeto que participo, uso o Pure Data, Csound, Sound Forge e ReCycle, no fim vai tudo parar no Ableton, pro resto é Logic, Reason e Ableton, tudo termina em Ableton sempre, gosto muito de sintetizar as coisas, criar toda a configuração e ter o controle sobre isso, e zoar os samples ao maximo. E eu sou viciado em Softwares, Plugins e bancos de samples, tenho montes disso em casa.

 

06 – Que outras formas de arte você curte ?

 

   eu ando muito vidrado em arte digital, de todo tipo, desde fotografias até Wiring, Circuit Bending, acho que a arte deve refletir e criticar a realidade que agente vive, e body-art que eu respirei muito tempo, mas na real esse papo de arte é muito cabeça pra um paragrafo, desde que não seja trampinho de hippie que eu tenho um odio sinistro




Agenda

Dezembro 2009
S T Q Q S S D
« Nov    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Arquivos

PRANK

Prank é uma festa multicultural que tenta levar a essência da cidade aos olhos, ouvidos e tato das pessoas, é uma forma de espremer a cidade entre duas barras de ferro com uma rodela de limão dentro do seu cérebro e esperar pelo resultado.

mais acessados

  • Nenhuma